Ao longo de vários meses, tenho partilhado várias reflexões sobre o espelho da excelência, em particular através da nossa forma de estar, da nossa postura, de adoptar a forma de cumprimento adequada, de respeitar o código de vestuário e da importância de ser um verdadeiro camaleão social e comunicacional enquadrando-se, corretamente, em cada ambiente e contexto.
Contudo, ainda não tinha sido abordado, diretamente, o nosso tom de voz e o quão contribui para garantir a imagem de excelência profissional aqui tão trabalhada.
Hoje, pergunto-lhe diretamente: Já pensou no que revela o seu tom de voz?
Tal como a impressão digital, o nosso tom de voz é único e ímpar: é um reflexo da nossa identidade.
Se, por um lado, as características inatas da nossa voz não permitem que consigamos alterar as mesmas — uma contralto, dificilmente será soprano — podemos (e devemos) ter consciência de que é crucial trabalhar o nosso tom de voz adequando-o a cada local, a cada circunstância garantindo que contribui para criar um ambiente empático e aprazível.
Para tal, é fundamental que tenhamos perfeita consciência se, natural e inconscientemente, temos tendência a utilizar um “tom de voz mais elevado” ou se, pelo contrário, tendemos, naturalmente, a falar mais baixo.
Salvo situações de emergência e/ou perigo iminente, “falar alto” dificilmente será considerado adequado. Quando elevamos o nosso tom de voz — ainda que, muitas vezes, de forma inconsciente — criamos um ambiente desagradável e hostil, o qual, seguramente, não pretendemos proporcionar.
Por sua vez, utilizar um tom de voz elevado, é, facilmente, confundido com altivez, prepotência, arrogância e falta de consideração para com os outros, características que, provavelmente, não pretendemos que sejam associadas ao nosso perfil.
Contudo, não raras vezes, não temos consciência de que o nosso tom de voz é “demasiado elevado”.
Se está numa posição de liderança e, na sua equipa, tem elementos que necessitam trabalhar o tom de voz, é seu dever abordar, pedagogicamente, este tema para que possam aprender a adequar o tom de voz de acordo com o esperado.
Por outro lado, para que tenha a certeza que o seu tom de voz é agradável e está em sintonia com o ambiente que pretende criar, peça, também, a alguém próximo que avalie o seu tom de voz. Se houver ajustes a ter em consideração, tenha-os em conta, desde o primeiro minuto.
Se, como acabei de mencionar, um tom de voz elevado pode ser (ainda que incorretamente) considerado como uma demonstração de altivez, hostilidade e agressividade, um tom de voz demasiado baixo será facilmente associado a características como insegurança, parca preparação técnica e timidez. No polo oposto, características que, provavelmente, também não pretende que sejam associadas ao seu perfil.
Além do tom de voz correto, há que ter em consideração outro aspeto nesta matéria: cuidado com os atropelamentos! Não só de palavras… mas também de outros discursos.
Para tal, articule cuidadosamente cada palavra para que o seu discurso seja fácil e corretamente interpretado. Falar com rapidez leva a que, involuntariamente, comprometamos a articulação correta e, numa avidez de partilhar tudo o que pretendemos, “atropelamos” palavras.
Por fim, não atropelemos o discurso dos outros… Independente do contexto e do teor da conversa — em particular, quando o discurso está “aceso” — não descure as pausas devidas; dê espaço para que os outros possam falar partilhando o que lhes vai na alma. Assim que for oportuno, o compasso de espera ditará que chegou o seu tempo de partilha. Nesta matéria, nunca se esqueça que, no decorrer de uma discussão, o silêncio é uma virtude… e interromper, é um pecado!
Fazendo minhas as palavras de Miles Davis: a voz é um dos sons mais maravilhosos do mundo. Saibamos, assim, aproveitar — e não menosprezar — o seu potencial contribuindo para que seja, também, o reflexo da excelência profissional!
Artigo publicado, originariamente, no site da Executiva, aqui.